Reagir ao desalento

Reserva das dunas de S. Jacinto

Se fosse necessário resumir numa palavra a mensagem que o Papa Francisco quer transmitir perante os graves problemas de Humanidade, recorreríamos à palavra Esperança. Há futuro porque “o Futuro a Deus pertence”: empenhar-se na consecução de um mundo justo tem sentido, não é uma tarefa inútil. Não vamos sós porque o Senhor que “faz novas todas as coisas” (Apo 21,5) abre-nos o caminho.

O Papa publicou já três documentos que levam no seu título uma mão cheia de esperança: “A alegria do Evangelho” (2013), “Louvado sejas, Senhor” (2015) e “A alegria do Amor” (2016). Cada um deles é um cântico, um poema a agradecer a beleza da vida e o nascer de uma manhã luminosa. Exatamente!, uma mensagem de esperança aos migrantes e refugiados de Lampedusa ou de Lesbos, às vítimas da máfia calabesa em Cassano, aos movimentos populares de Roma ou de Santa Cruz, na Bolívia, às crianças das ruas de Manila, aos desempregados de qualquer país europeu, aos excluídos de Kangemi em Nairobi, … sabe-se lá que mais.

Os problemas do meio ambiente de que temos falado e a sua intrincada relação com a exclusão dos seres humanos podem desalentar-nos. São problemas muito complexos e de dimensões colossais. Sabemos que muitos deles vão ainda perdurar pois que, uma vez postos em marcha, talvez possamos ainda travá-los, mas não detê-los. O alcance destes problemas é global e a nossa contribuição individual será sempre pequena e quase impercetível.

É, portanto, necessário reagir ao desalento. “Há sempre uma saída… poderemos sempre fazer alguma coisa para resolver os problemas” (LS 61). Esta é a nossa experiência, em tantas circunstâncias da vida escondidas na obscuridade. De repente, abre-se a luz e descobre-se uma nova vida.

Aqui e ali começam a aparecer chispas do Reino no meio da escuridão do quotidiano: aqui, Comunidades há que reduzem o seu consumo; ali, cidades e países que reciclam; além, fora com o plástico; escolas em que as crianças aprendem desde pequeninas a valorizar e cuidar do meio ambiente; mercados de produtos de “segunda mão”; reservas naturais com atividades humanas limitadas; tratamento de águas residuais; legislações que protegem o meio ambiente, impedindo a contaminação ou sobre-exploração dos recursos naturais; políticas fiscais que redistribuem a riqueza, combatem a desigualdade e protegem os mais pobres; ordenamentos jurídicos que penalizam o desrespeito pelos direitos humanos; economias ao serviço do bem comum; tecnologias limpas e energias alternativas sem emissões de carbono; e uma melodia suave, quase impercetível ainda, mas que já se ouve, a cantar a necessidade de modos de vida sustentáveis e inclusivos que nos farão mais humanos…

Realmente, o Reino já está a caminho. A toalha no cimo do monte (Is 25,6) começa a estender-se. E, lá, “muitos virão sentar-se à mesa” (Lc 13,29).

Em julho de 2014, faz agora 3 anos, em Caserta, pediram a Francisco: “Papa, dê-nos esperança!”. E ele respondeu: “Esperança não posso dá-la. Mas posso dizer-vos que, onde Jesus estiver, estará esperança. Onde estiver Jesus, os irmãos amam-se, comprometem-se a salvaguardar a sua vida e a sua saúde, e respeitam até o meio ambiente e a natureza”.

“Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança”, diz o Papa Francisco no final da Louvado Sejas!

Entretanto, uma pergunta: Precisamos mesmo de usar palhinhas de plástico? Só nos Estados Unidos, todos os dias são usadas perto de 500 milhões de palhinhas de plástico. E isto é uma estimativa.
 Não são recicladas e acabam em aterros sanitários, nas ruas e na água. Há alternativa? Sim. Uma delas é não as usar (Público de 2017.07.03)

Arlindo de Magalhães, 16 de Julho de 2017

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