Narciso Rodrigues

Narciso 1971

“O Doutor” nasceu no Porto há exactamente 100 anos (4 de Março). Recordar alguns títulos por ocasião da sua morte, em 18 de Dezembro de 1995, pode não ser muito adequado. Mas, só meia dúzia: A referência de uma geração, Doutor, vamos ouvir os grilos?, Um homem que fez homens, Um século, um estilo, uma vida, Homem espiritual, Um padre seduzido pelo Evangelho…

No seu funeral, ia já longe uma Liturgia interminável, morosa e fria, quando aconteceu o impensável: alguém ousou, lá do fundo do templo (eu escrevi do templo, que não do tempo), começar a cantar o “Meu Senhor Jesus Cristo, ofereço-vos o meu dia inteiro: o meu trabalho, as minhas lutas, as minhas alegrias e as minhas penas …”. Já os mais novos perguntavam que cantiga era aquela, e alguns outros engoliam talvez algum sapo vivo. E enquanto poucos ainda, na capela-mor, trauteavam a antiga oração jocista, já outros não seguravam as lágrimas.

Fazia-se assim justiça a um homem que, de “o meu trabalho, as minhas lutas, as minhas alegrias e as minhas penas” para “as alegrias e esperanças, tristezas e angústias” do Vaticano II, deu apenas um passo

Narciso Rodrigues, presbítero, nado e falecido no Porto (1905 – 1995).

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